Lúcio Cruz – A tradição e a arte

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Lúcio Cruz – A tradição e a arte

Artista nascido em Paraty, Lúcio Cruz passou a infância nas ruas do Centro Histórico, onde seu pai era comerciante de loja de armarinho. Desde menino, Lúcio conviveu com as tradições, festas e manifestações desta Paraty isolada, anterior à construção da estrada Rio Santos. É desse universo que sempre tirou inspiração para seu trabalho artístico.

Iniciou fazendo máscaras de papel machê, para si e para seus amigos brincarem o carnaval. As formas de barro, encapadas com jornal e cola de farinha, fizeram parte do início de sua trajetória e descoberta artística assim como o convívio com o tio e poeta José Kleber que sempre o incentivou a trilhar o caminho das artes.    Sua primeira exposição foi em 1987 na sede da Antiga Cadeia, para a qual produziu uma série de máscaras em painéis. Convidado a fazer uma exposição sobre a Festa do Divino em maio de 1988,  Lúcio usou a mesma técnica para criar imagens que pareciam pular do quadro,impressionando pelo colorido e dramaticidade. A partir daí teve convite da Funarte para fazer exposição com a temática dos 100 anos da Abolição da escravatura. Sempre usando a técnica do papel machê tridimensional , mas cada vez mais aperfeiçoada ,esse artista versátil passou a produzir também quadros, objetos decorativos  com cimento e tinta. Das suas viagens e longas estadias no nordeste, bebeu da fonte do folclore e da religiosidade regionais, reafirmando seu fazer artístico pautado na diversidade e cultura brasileira.

Artista regional e popular como ele mesmo se intitula, seu trabalho nos fala dos antigos carnavais , das tradições das festas religiosas, dos elementos da vida caiçara, das rodas de ciranda…. Seus personagens têm a marca daquilo que é feito à mão, numa técnica que une arte e artesanato, num diálogo de saberes diferentes que se encontram. Resulta daí uma estética própria, que expressa pertencimento às suas origens.

Renovando sempre sua produção artística, passou por diferentes fases, séries e coleções, sem nunca perder a sua identidade e traço característicos, seja em aquarelas, grafismos em  preto e branco, oratórios de tocos de madeira reciclados ou quadros de pintura acrílica. De suas ultimas criações, temos a série “ Meu Amor”, quadros que retratam a diversidade de casais e placas em preto e branco,projeto para um livro de pintura infantil.

Realizou trabalhos como curador, como cenógrafo em diversas edições da FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, criando bonecos personagens da nossa literatura. Concebeu e executou inúmeros projetos de decoração da cidade em festivais da cachaça , em carnavais, percorrendo assim uma trajetória artística ampla e variada como seu próprio trabalho.

Muitas de suas obras são as imagens mais utilizadas para a divulgação de Paraty como destino turístico cultural, reafirmando assim  a  singularidade  de  sua produção artística e a identificação de sua obra com Paraty.